sábado, 21 de novembro de 2009

ATP Finals



Federer e Nadal: todos querem seus dois lugares

Tudo pronto na terra da Rainha.

Amanhã, em Londres, inicia-se o último torneio da ATP do ano, o ATP Finals, para o seleto grupo dos 8 melhores tenistas do mundo. A única ausência será Andy Roddick, #6 do mundo, que não disputará o torneio em virtude de contusão. Em seu lugar entrou o felizardo Robin Soderling, #9 do ranking.

O torneio é disputado em sistema de grupos, com 4 jogadores em cada, jogando entre si, e classificando-se para as semifinais os dois melhores de cada grupo, assim divididos:

Grupo A
Roger Federer #1
Andy Murray #4
Juan Martin del Potro #5
Fernando Verdasco #8

Grupo B
Rafael Nadal #2
Novak Djokovic #3
Nikolay Davydenko #7
Robin Soderling #9

Rafael Nadal, #2 do mundo, ainda tem uma pequena chance de terminar o ano como #1 do mundo, tomando o trono de Roger Federer. A diferença entre eles é de 945 pontos, com 1.500 pontos em jogo no ATP Finals.

Para Federer, basta ganhar seus 3 jogos da fase de grupos, totalizando mais 600 pontos, para assegurar o #1. Para Nadal, a missão é bem mais complicada: tem que ser campeão invicto do torneio e torcer para Federer ganhar apenas 2 jogos na fase de grupos, e ser eliminado já nas semifinais.

Federer e Nadal: olho no olho



Novak Djokovic, o tenista sensação deste final de temporada, campeão do torneio ano passado (antiga Master Cup) e que vem do título do Master 1000 de Paris na semana passada, tem ainda uma remota chance de terminar o ano como #2 do mundo: para isso terá que ganhar o torneio invicto e torcer para Rafael Nadal não vencer nenhum de seus jogos.

Amanhã o grupo A começa com Federer x Verdasco e Murray x Del Potro. Na segunda-feira será a vez do grupo B, com Nadal x Soderling e Djokovic x Davydenko. Os jogos serão disputados na Arena O2, um moderno complexo poliesportivo londrino, que também será sede de jogos nas Olimpíadas de 2012.

Deus salve a Rainha!


Equilíbrio



Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.

- Como quereis o equilíbrio?

David Mourão-Ferreira

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Foi Um Momento





Foi um momento
O em que pousaste
Sobre o meu braço,
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não?

Não sei. Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido,
Mas tão de leve!...

Tudo isto é nada,
Mas numa estrada
Como é a vida
Há uma coisa
Incompreendida...

Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço?

Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,
Que nem soubesses
Que tinha ser.

Assim a brisa
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.

Fernando Pessoa

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Amnésia



Não me lembro se um dia eu existi
Sem estares ao meu lado.
Lembro-me de ter nascido
E confesso-me estarrecido:
Dize-me como é possível eu ter-te
Sem nunca ter te perdido?

Anjo



Se dos meus olhos
Só saísse brilho,
Se eles não marejassem
E não chorassem,
Se da minha boca
Só saísse beijos,
Se ela não mordesse
E não gritasse,
Se das minhas mãos
Só saísse carinho,
Se elas não batessem
E não machucassem,
Se os meus pés
Só seguissem o caminho,
Se eles não tremessem
E não fraquejassem,
Se no meu peito
Só tivesse amor,
Se não tivesse mágoa
E nem rancor,
Eu poderia ser como tu
E o teu candor.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sou Um Evadido




Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?

Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.

Fernando Pessoa

Tenho Tanto Sentimento



Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa